Morte e vida na Cidade Olímpica

2020

As fotos que compõe esse ensaio foram feitas entre 2011 e 2012 na região portuária do Rio de Janeiro e Morro da Providência, zona central da cidade, e fazem parte do acervo da pesquisa que desenvolvi na região para meu doutorado. A produção imagética dos tapumes, do concreto remexido, das escavações, remoções e descaracterizações efetivadas pelas obras de "melhorias" na região foram fundamentais para que eu pudesse refletir sobre o tema da desordem, da precariedade, da ruína e das temporalidades do capitalismo na produção de desigualdades em contextos pós-coloniais. Foi fotografando que pude pensar na provisoriedade permanente do progresso nas cidades latino-americanas onde as melhorias são ruínas e as ruínas contam histórias. Nessa sequência de imagens, a matéria - destruída, ocultada ou violada - grita. São casas, cômodos, percursos, rotinas, intimidades e laços - destruídos, ocultados, violados. No livro que inspira o título desse ensaio "Morte e Vida de Grandes Cidades" a autora Jane Jacobs faz uma crítica a "mentalidade que só vê desordem onde existe a mais complexa e singular das ordens (...)". Vejo essa narrativa fotográfica como um convite à reflexão desse traço colonial que vê na desordem vidas que precisam ser destruídas, ocultadas e violadas.

:: A pesquisadora recebe uma bolsa de estudos do PNPD/CAPES para desenvolvimento de sua pesquisa de pós-doutorado da qual essa exposição faz parte.

::Para assistir a exposição, clique na primeira foto abaixo e siga utilizando as setas laterais::

Não destrua
Marítima
Tapumes
Elefante Branco
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